O tríplice aspecto da Doutrina Espírita (ler mais)

A Doutrina Espírita encontra-se sustentada em três grandes pilares, a que se deu o nome de Tríplice Aspecto ou Natureza Tríplice: A Ciência, a Filosofia e a Religião.

Como Ciência, estuda, observa e explica: porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenómenos mediúnicos, isto é, fenómenos provocados pelos espíritos e que não passam de factos naturais. Todos os fenómenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica. Não existe o sobrenatural no Espiritismo.

Como Filosofia, esclarece, indaga e conclui: porque dá uma interpretação da vida, respondendo a questões como “de onde eu vim?”, “qual a finalidade da minha vida neste mundo?”, “para onde vou depois da morte?”. Toda a doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia.

Como Religião, sublima, transforma e ilumina: porque tem por objetivo a transformação moral do homem, revivendo os ensinamentos de Jesus Cristo, na sua verdadeira expressão de simplicidade, pureza e amor. Uma religião simples, sem sacerdotes, sem cerimónias nem sacramentos de espécie alguma. Sem rituais ou culto a imagens e sem manifestações exteriores.

Princípios básicos da Doutrina Espírita (ler mais)

Estes princípios foram revelados pelos espíritos e firmados nas obras da codificação da Doutrina Espírita por Allan Kardec. Resultam da observação e constatação dos factos que deram a conhecer a existência do mundo espiritual e as suas leis, as quais regem as relações com o mundo material. São os seguintes:

  • Existência de Deus;
  • Imortalidade da alma;
  • Pluralidade das existências (reencarnação);
  • Comunicabilidade dos espíritos (mediunidade);
  • Pluralidade dos mundos habitados.
Obras básicas da Doutrina Espírita (ler mais)

As obras básicas da Doutrina Espírita, também designadas como obras da codificação, foram escritas por Allan Kardec, através das comunicações dadas por vários espíritos e através de vários médiuns. As cinco obras básicas são as seguintes:

  • “O Livro dos Espíritos” – editado em 1857 – Obra que estabelece os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e as suas relações com os homens, as leis morais, a vida futura e o porvir da humanidade;
  • “O Livro dos Médiuns” – editado em 1861 – Reúne as explicações sobre todos os géneros de manifestações mediúnicas, os meios de comunicação e relação com os Espíritos, a educação da mediunidade e as dificuldades que possam surgir na sua prática;
  • “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – editado em 1864 – Dedica-se à explicação das parábolas e máximas de Jesus, de acordo com o Espiritismo, e a sua aplicação às várias situações da vida;
  • “O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo” – editado em 1865 – Oferece o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual. Coloca ao alcance de todos o conhecimento do mecanismo pelo qual se processa a Justiça Divina. Obra composta de duas partes: na primeira, Kardec realiza um exame crítico da doutrina católica sobre a transcendência, procurando apontar contradições filosóficas e incoerências com o conhecimento científico superáveis, segundo ele, mediante o paradigma espírita da fé raciocinada. Na segunda, constam dezenas de diálogos que teriam sido estabelecidos entre Kardec e diversos espíritos, nos quais estes narram as impressões trazidas da existência transcendente;
  • “A Génese” – editada em 1868 – obra composta de três partes. A primeira parte trata da Gênese, isto é, da formação dos mundos e da criação dos seres animados e inanimados. A segunda parte, dos milagres, onde se discute sobre o que pode ser considerado milagre, e se explica, à luz da Doutrina Espírita os muitos milagres feitos por Jesus. A terceira parte explica como e por que pode haver previsões de coisas futuras, pressentimentos e coisas afins.